Sobre a contratação do goleiro Bruno pelo Rio Branco FC

A contratação do goleiro Bruno pelo Rio Branco FC desencadeou uma inundação de postagens nas redes sociais nos últimos dias, não só no Acre, mas em todo país. A polêmica ganha força pela complexidade alicerçada numa tríplice de aspectos jurídicos, sociais e morais.

Juridicamente, Bruno foi condenado a vinte anos e nove meses de prisão por homicídio triplamente qualificado de Eliza e pelo sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho dos dois. Cabe lembrar que ele ainda não cumpriu a pena em sua totalidade, mas progrediu do regime fechado para o semiaberto e, agora, está no aberto. Sobre esse aspecto, quero deixar claro minha posição: sou totalmente contra a progressão de regime para alguns tipos de crimes, a exemplo de crimes bárbaros de homicídio, pedofilia, estupro, dentre outros. Entretanto, legalmente, nada impede dele ser contratado por qualquer Clube.

Socialmente, a barbaridade do crime tem ao menos um importante agravante, qual seja o feminicídio que, especialmente no Acre, apresenta índices alarmantes e precisam ser duramente combatidos. Ainda sob a ótica social, a contratação traz à tona outra polêmica, desta vez relacionada a importância da ressocialização de apenados como uma “segunda chance”, uma porta de saída do mundo do crime. Entretanto, neste caso, importa ressaltar que não se trata de um pequeno delito, de um mero desvio de conduta, mas de um crime premeditado, macabro e com requintes de crueldade.

Moralmente, temos, a questão mais complexa nessa equação, pois independente das normas que regem as leis vigentes que tornam a contratação legal, da importância do processo de ressocialização de apenados, da evidente e indiscutível necessidade de combate ao feminicídio, estamos falando de um crime bárbaro cometido por um atleta e ídolo do esporte mais popular do planeta, que deveria servir de exemplo para milhões de jovens, que chocou toda uma nação e repercutiu internacionalmente. Assim, apesar da legalidade da contratação de Bruno, também é legítimo o movimento popular que desencadeou essa avalanche de críticas a diretoria do Rio Branco FC, por considerarem um ato imoral.

Nesse contexto, ao emitir posicionamento ou juízo de valor sobre o caso em tela (a contratação do Bruno), importa considerar, ao menos, os aspectos citados anteriormente, sob pena de cair no populismo, na defesa de ilegalidade e ou imoralidade.